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  • Lívia Jacinto

Lívia Jacinto fala sobre Transição Capilar e empoderamento da mulher negra

Quando falo sobre Transição Capilar é inevitável não me lembrar que essa decisão foi o resgate da minha identidade e do meu empoderamento como mulher negra. E é exatamente por isso que escolhi falar um pouquinho sobre esse assunto e compartilhar a minha história com vocês.



Tudo começou quando eu ainda era criança . Sempre estudei em escolas particulares e, como todo mundo bem sabe, nesse ambiente a maioria absoluta era de pessoas brancas e de cabelos lisos.


Tenho poucas lembranças tristes sobre a minha infância, e, infelizmente, quase todas ligadas ao meu cabelo. Eu, quando criança, definitivamente não gostava dele, pois todo mundo me dizia para não gostar.


Sei o quanto isso destruía também a minha mãe e ela, certamente na tentativa de acabar com a minha dor, alisou meu cabelo para que eu me sentisse parte “daquele meio”, para que eu fosse “aceita”. Durante anos achava que estava sendo “aceita”, mas no meu coração sempre senti que faltava alguma coisa, mas diante da possibilidade de sofrer qualquer segregação racial (que existe, sim) eu fui levando.


Os anos foram passando, fui crescendo e passei a cuidar eu mesma do meu cabelo.

Já adulta comecei a frequentar alguns novos lugares e a me deparar com muitos negros com cabelos crespos, totalmente naturais, maravilhosos, cheios de atitude, com a autoestima lá nas alturas e essa convivência me despertou uma admiração e alguns questionamentos.


Foi quando entendi que a tal “aceitação” que sempre achei que fosse com relação à sociedade, era com relação a mim mesma. Comecei a tentar resgatar como era o meu cabelo natural e, sinceramente, eu nem me lembrava mais como era. Tinha usado química por tantos anos que não sabia mais como ele era naturalmente.


Fiquei assustada e muito triste com essa constatação e entrei no processo de aceitação para iniciar minha Transição Capilar, porque, sim, é uma decisão difícil, íntima e muito particular.


A transição não é apenas capilar, ela é emocional. Como bem me disse a Terapeuta Capilar Naturalista Paula Breder: "Esse movimento surgiu e, como um trabalho de formiguinha, foi ganhando espaço e adeptos. Mais e mais mulheres se encantavam com a possibilidade de se reconhecerem na multidão. A transição, quando surgiu, veio como meio para qual se obtém o que se espera, mas hoje vemos algo diferente. No Brasil, a transição aparece como um fim em si mesmo. A relação da mulher brasileira com o cabelo é algo único, peculiar, e não podemos ignorar isso. A mulher brasileira trata o cabelo como a extensão de alguma parte do corpo e muitas – na verdade, a grande maioria - entendem o corte como uma mutilação. Com isso, a transição vira um fim, uma forma de viver, e deixa de ser apenas um processo:.



Fiquei na Transição Capilar durante quatro meses, sem usar nenhuma química e deixando ele crescer naturalmente. Até que um belo dia tomei a tão difícil, porém certa e segura, decisão de fazer o Big Chop, que é o ato de cortar o resto do meu cabelo que ainda tinha química de alisamento. Nesse momento a “mágica” aconteceu e foi um mix de sentimentos, ansiedade, medo... Mas o que prevaleceu foi a alegria, a felicidade de me reencontrar, de me reconhecer. Meu rosto expressou um lindo sorriso, minha autoestima foi potencializada e finalmente eu me aceitei.


Bem, essa é a minha história, essa foi a minha Jornada de Autoconhecimento, com as minhas verdades, os meus medos, as minhas vulnerabilidades e fragilidades, mas essa não é a verdade absoluta, afinal como comecei falando, para mim foi o resgate da minha identidade e como cada um tem a sua, você tem que procurar o que te faz feliz, o que te faz ser você mesma.


Para mim, aliás, a Consultoria de Imagem tem a ver com esse resgate, pois ela é uma transformação de dentro para fora e nela mergulhamos juntas na sua Jornada do Autoconhecimento, e estou compartilhando isso com você para lhe empoderar a se tornar a Melhor Versão de si mesma a cada dia. Vamos juntas?

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