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Os brancos e o empoderamento feminino

Gray is the new blond


No últimos anos, o mundo vem assistindo o que tem sido chamado de "A Revolução dos Grisalhos": mulheres de todas as idades fazendo as pazes com seus fios brancos. Os motivos são vários, desde alergias à tinturas, o alto valor investido para manter as madeixas em dia e o tempo - artigo cada vez mais raro - gasto em salões de beleza para execução de procedimentos de colorimetria capilar.

Mas o que está por trás dessa mudança, e é muito mais significativo do que qualquer um desses aspectos, trata-se de um processo de aceitação das marcas (ainda, que, às vezes, precoces) da passagem do tempo. Mais do que isso! O que está acontecendo é, de fato, uma rebelião feminina quanto à modelos mentais pra lá de enraizados - e ultrapassados - de que ter cabelos esbranquiçados é sinal de velhice e só é positivo para homens.


E antes de continuarmos, é bom dizer que não estamos aqui para "pregar" que todas assumamos nossos grisalhos. Esta é uma opção individual e só faz sentido pra quem percebe que esse momento é chegado. Tampouco é uma decisão definitiva, afinal somos livres para voltarmos a colorir nossa linda moldura do rosto a hora que tivermos vontade. E é exatamente nessa liberdade que mora a graça desse movimento de autoaceitação.


Mas não pense que o processo de adotar um "gray hair" é um caminho feito somente de mensagens de apoio e libertação. Ainda que, a cada dia, mais e mais mulheres, muitas delas famosas e ícones de beleza, estejam aparecendo publicamente com seus cabelos naturais, a sociedade ainda tem muito a evoluir na aceitação dessa nova relação feminina com sua cabeleira.




E - pasmem - a "condenação" muitas vezes parte das próprias mulheres. "Você vai ficar parecendo uma velha horrorosa" algumas delas são capazes de impiedosamente afirmar quando afrontadas pela vontade confessa de uma amiga ou parente em não esconder seus fios acinzentados. Após gerações e gerações aprisionadas à obrigatoriedade de sempre parecermos jovens, negando e tingindo cada mínima madeixa branca que aparece, nos assustamos diante do menor grito de libertação de nossas semelhantes, e covardemente nos tornamos carcereiras cruéis atuando em prol de um padrão de pensamento que há muito não se justifica.



É chegado o momento de nós mulheres refletirmos sobre nosso papel na manutenção dos padrões de beleza inalcançáveis que foram estabelecidos ao longo da evolução humana para o nosso próprio gênero. Ao nos questionarmos sobre nossa dificuldade em admitir posturas diferentes das habituais quanto ao protótipo feminino ideal, podemos enxergar que a falta de aceitação das nossas congêneres fala muito mais sobre nossa limitação em nos aceitarmos tal como somos do que delas próprias.


Aí mora o verdadeiro espírito e a essência fundamental da "Gray-hair Revolution".


Transições podem ser difíceis, mas também recompensadoras


Fora os desafios culturais que a mulher precisa transpor para "obter o direito" de exibir sua cabeleira mais natural, outro processo que pode ser difícil é o momento da transição, caso ela já tenha tintura em seus fios. O período em que o cabelo começa a crescer, mas ainda tem a coloração antiga pode ser tão difícil de superar que leva muitas a desistirem de assumir suas madeixas naturalmente platinadas. Nesse meio-tempo entre uma coisa (cabelos grisalhos) e outra (cabelos tingidos), é comum a pessoa se sentir feia e com aparência de mal cuidada, o que, comumente, a leva a voltar a colorir os fios.


Caso sua convicção em conviver pacificamente com seus branquinhos fale mais alto, pode ser importante, então, contar com algumas estratégias que te ajudem a sobreviver a essa fase sem perder a autoestima. Vamos à algumas delas:


Estratégias para te ajudar


1. No início do processo, você pode recorrer a soluções paliativas, como a "maquiagem para cabelo" para cobrir as raízes.


Hoje existem no mercado boas opções de maquiagem capilar, em forma de spray, cera, rímel e outras apresentações, que podem dar "aquela mãozinha" inicial no seu processo de transição. Indo do loiro claro ao preto, é só escolher aquela tonalidade que mais se aproxima ao tom do seu cabelo. A tinta é temporária, mas, se bem aplicada, dura até a próxima lavagem.


Claro que essa não é uma solução a ser utilizada por muito tempo, mas pode ajudar nos primeiros momentos da mudança, evitando que a transição se transforme em algo traumático desde o início.



2. Se planeje e adote colorações anteriores que te ajudem a enfrentar a transição com mais facilidade.


Fazer luzes no cabelo ou optar por uma tintura com a presença de pigmentos frios, mais acinzentados, ainda que misturados aos dourados ou aos tons mais escuros, ajuda a diminuir o contraste entre os fios brancos e os demais.


Essas formas de suavizar a diferença de cores auxiliam no processo de transição e são estratégias que podem ser assessoradas por profissionais de consultoria de imagem que façam análise facial com foco em colorimetria capilar. Nesse caso, o consultor vai indicar a mistura ideal de tons frios e quentes, de tal forma a não interferir negativamente na sua beleza natural e respeitando a característica de temperatura da sua cartela de coloração pessoal.

Agora, se você for mais radical e quiser mergulhar de cabeça e sem medo de ser feliz nessa "onda gray", saiba que hoje já existem cabeleireiros especializados em acelerar o processo de transição. O que eles fazem? Tingem seus cabelos na nuance exata do seu cinza natural. Um colorista que ficou bem famoso por seus trabalhos nesse sentido é o Jack Martin, que mantém seu salão em Tustin, Califórnia, e faz mágica nos cabelos de suas clientes, entre elas, famosas como Jane Fonda.



3. Que tal aproveitar esse momento para fazer aquele corte curtinho que você sempre sonhou?


Cortar os cabelos de uma forma diferente pode chamar mais atenção para o corte do que para o fato da cabeleira não estar toda de uma mesma cor. Ao adotar cabelos curtos ou médios, o período de transição passa a ser significativamente menor. Além disso, cortes de cabelo curtos para mulheres são usualmente percebidos como "modernos", minimizando a temida percepção de envelhecimento. Os cortes de tamanho médio também são boas opções para quem não quer "radicalizar" tanto.


Em ambos os casos, se houver insegurança na hora de cortar as madeixas, também pode valer a pena investir em um bom serviço de análise facial, que oriente quanto aos cortes mais recomendados para seu formato de rosto, feições e desejos de imagem. Com a ajuda de um consultor de imagem é possível evitar qualquer frustração no momento da mudança, especialmente se você habitualmente usa os cabelos mais longos.




4. Tenha paciência, conheça seus novos fios e proteja-os corretamente quando for usar ferramentas de calor.


Seu cabelo está mudando e você vai ter que se acostumar com suas novas necessidades. O fio grisalho tem uma textura diferente, mais porosa por conta da perda de melanina, e requer cuidados especiais para evitar que fique extremamente ressecado e com uma coloração amarelada.


Durante a transição, muitas mulheres continuam a usar secador, chapinha e babyliss da mesma forma que usavam antes, ou até mais, na tentativa de "domar" os brancos, que, geralmente, são mais grossos e rebeldes. Mas, neste momento, é importante adotar procedimentos que protejam seus delicados branquinhos do perigo do calor. Então anote: antes de usar qualquer ferramenta de calor, é essencial utilizar um protetor térmico, ok?



E o que muda depois de mudar?


1. PROTEÇÃO


Já falamos que o fio esbranquiçado é mais poroso. Isso faz com que ele seja mais suscetível a absorver impurezas e poluição. Por isso sua tendência é ficar amarelado. Para evitar esse efeito, é indicado o uso de shampoos cinza, que, na verdade, são roxos, de uma a duas vezes por semana.


Além disso, como também já foi dito, o cabelo branco tende a ser mais seco, demandando mais cuidados referentes à sua hidratação. Usar máscaras hidratantes com frequência e protetores solares são boas pedidas. Além disso você pode fazer o procedimento de umectação, usando um óleo capilar 100% vegetal, como, por

exemplo, o óleo de côco.


2. ATENÇÃO AO CORTE


Para que os cabelos brancos não transmitam mensagem de desleixo, faz-se necessária atenção redobrada ao corte. Aparar as pontas com frequência e adotar, como já foi falado, um corte curto, que comunique uma mensagem contemporânea, são estratégias que ajudam a minimizar o efeito "envelhecedor" dos acinzentados.


Mas a cabeleira pode ser mantida longa, desde que a atenção à saúde dos fios seja mantida. Nesse caso, pode ser interessante, trazer atitude e contemporaneidade aos looks utilizados. Uma boa referência nesse sentido é a Sarah Harris, diretora da revista Vogue londrina e adepta dos cabelos longos e naturalmente platinados.

3. MAKE COMO ALIADA


E, para ajudar a afastar o "fantasma" da aparência de "falta de cuidado", temos como fortes aliadas as maquiagens. A possível sensação de monocromia facial e a alteração do contraste natural (diferença de claros e escuros entre os elementos que compõem o nosso rosto, considerando os cabelos, pele, sobrancelhas, olhos e boca) provocada pela adoção dos fios brancos pode se tornar um incômodo. Mas a boa notícia é que a aparência de "mais velhas" ou, até, abatidas e doentes, pode ser contornada por meio de maquiagem, valorizando o olhar e a boca.


Escurecer minimamente as sobrancelhas, ressaltar a região dos olhos e usar um batom mais marcante são algumas das estratégias bem sucedidas no intuito de não permitir que suas feições percam a expressividade e envelheçam precocemente.

FONTE IMAGENS E VÍDEOS: PINTEREST



Conheça Stela Moncaio


Brasiliense. Publicitária. Designer de moda. Não necessariamente nessa ordem... essa sou eu! ; )

Apaixonada por moda e comunicação desde que me entendo por gente. E apaixonada pela psique humana. E por tudo aquilo que faz cada pessoa um ser completamente ímpar e especial.

A mistura dessas paixões me trouxe até meu verdadeiro ofício: a CONSULTORIA DE ESTILO. Porque moda é uma forma de linguagem, vestuário também é comunicação e estilo - que, já desmistificando, nada mais é do que praticar escolhas (o que todo mundo faz todos os dias) - tem a ver com dizer pro mundo QUEM A GENTE REALMENTE É. Assim mesmo: sem vergonha ou medo de ser feliz.